
O coração aborígene das montanhas
No coração pulsante da América do Sul, encontra-se a Bolívia, um pequeno país privado do oceano, um dos territórios mais altos do mundo e nação com maior presença e influência indígena do Continente. Suas raízes foram postas à prova por séculos de conquistas e aniquilação: o Império Inca, a colonização espanhola. A mineração, que tem sido sua principal economia, ao mesmo tempo foi o centro de trabalhos forçados que deixaram milhares de mortos entre sua população. No centro das montanhas, ao redor do imenso lago Titicaca, a cultura resiste em cores e canções: oferendas são feitas a Inti Tata (Deus Sol) e à Pachamama (Mãe Terra), para receber o ano aymara 5518.
OS POVOS ORIGINÁRIOS E A CONQUISTA INCA
Existem resquícios de ocupação humana no atual território da Bolívia que remontam do ano 12.000 AC na região da jazida de Viscachani. Em torno de 2.000 AC, tiveram lugar as primeiras civilizações conhecidas: a viscachanense, correspondente ao período paleolítico andino, a wankarani, na região de Oruro e a chiripa, próxima do imponente lago Titicaca.
Entre as culturas que existiam na Bolívia antes da conquista dos Incas, a tiwanaku foi a mais importante e é considerado o primeiro Estado aymara independente. Extendia-se do lago Titicaca por toda a região do altiplano, chegando a ser considerado o “berço das civilizações americanas”. A cidade de Tiwanaku foi planejada e orientada astronomicamente pelo lado leste, segundo a antiga tradição aymara.
Esta cultura era composta por doze reinos separados, que foram denominados de forma coletiva como Os Collas. Nesta época destacam-se os avanços na agricultura, hidráulica, a utilização da cerâmica, a metalurgia e, especialmente, a escultura e a arquitetura.
O avanço dos Incas sobre a região começou no Século X e culminou no ano 1438, com a vitória do Inca Pachacútec sobre o último soberano Colla, incorporando desta maneira o altiplano boliviano ao Império Inca como Província de Collasuyo. O quechua, idioma dos Incas, foi estabelecido como língua oficial, porém o aymara continou em uso, inclusive até os dias de hoje. O Império Inca, tal como era sua característica, soube absorver e por em prática os conhecimentos e avanços da cultura da região.
Na região leste, habitavam os arahuacas e os chanés. Quando o Império Inca quis frear os avanços guaranis sobre a região, teve que aliar-se a estas tribos e construir fortalezas e cidades inteiras; datam desta época as construções Incas mais imponentes da região. De toda a forma, as invasões guaranis venceram e tomaram o poder dos pampas e vales de Santa Cruz.
A CONQUISTA ESPANHOLA E AS FUNDAÇÕES
Diego de Almagro foi nomeado em 1535 como o pioneiro dos territórios do Sul do Peru. Em uma expedição ao Chile, passou pelo território boliviano, onde fundou a cidade de Paria, próxima a atual cidade de Oruro.
Por outra parte estava Francisco Pizarro, outro enviado do Rei Carlos V. As disputas de poder entre Pizarro e Almagro atrasaram a conquista em vários anos. Em 1538 Almagro foi derrotado e fusilado em Cusco. Pouco tempo antes os espanhóis haviam conquistado a província de Callao. Pizarro segue até o Sul e funda Charca, mais tarde conhecida como La Plata, Chuquisaca e, finalmente, Sucre. Ali foi estabelecida a Audiência de Charcas, o mais alto tribunal da Coroa Espanhola na região até então conhecida como Alto Peru (atual Bolívia), e passaria a ser um dos centros mais importantes dos Vice-reinados espanhóis.
Potosi foi fundada em 1546, La Paz em 1548 e Cochabamba em 1574. Para povoar Santa Cruz (fundada em 1561), a Coroa decidiu isentar seus habitantes de impostos, indultar grupos perseguidos e libertar os mestiços e aborígenes. Em seguida autorizou o estabelecimento de missões jesuítas. Desta maneira chegaram os centro-europeus, e o êxito das missões resultou em grandes benefícios culturais e econômicos.
Em 1574 a cidade de Potosi era a mais povoada da América, graças à riqueza de sua mineração. Em 1611 era a maior produtora de prata do mundo, e nos séculos seguintes foi a cidade mais importante do Império Espanhol no hemisfério ocidental. A mineração foi a obsessão dos colonos, o que foi significou um desinteresse pela agricultura, ao mesmo tempo que a base da exploração brutal dos indígenas.
No final do século XVIII a produção de prata começou a minguar, o comércio desviou-se e a cidade de Potosi terminou por cair no anonimato.
DAS PRIMEIRAS REBELIÕES À INDEPENDÊNCIA
Em 1780 ocorre uma rebelião liderada por Tomás Catari (aliado a Túpac Amaru do Peru) que se extende por Charcas, Oruro, Cochabamba e La Paz. Logo após a morte do líder, seus irmãos Damaso e Nicolas tomaram o comando da rebelião e sitiaram Charcas com mil e duzentos homens. São derrotados e executados. Neste mesmo ano, o índio Tupac Catari entra em La Paz e sitia a cidade por quase duzentos dias. Finalmente é derrotado. E o resto dos tenentes é esquartejado.
Em 25 de Maio de 1809, um grupo revolucionário (liderado por Jaime Zudañez), depôs o Presidente da Audiência de Charcas e proclamou a liberdade das colônias americanas. Em 16 de Julho, um grupo de revolucionários invadiu os quartéis de La Paz e tomou o controle da cidade. Finalmente os revolucionários foram vencidos e levados à forca. Neste momento inicia-se uma guerra de quinze anos pela liberdade da Bolívia.
De 1818 a 1820 a Guerra das Guerrilhas, com participação destacada de Juana Azuruduy de Padilla, liderou um combate incessante pela emancipação. Em 1823 Andrés de Santa Cruz foi vencido em La Paz. Pouco mais tarde, Simón Bolívar triunfou em Junín e em Ayacucho, entrou no Alto Peru e a liberação teve seu lugar.
Em 6 de Agosto de 1825, a Assembléia de Representantes declara a independência do novo Estado, que é nomeado República de Bolívar, em homenagem a seu liberador, nome que pouco depois foi substituído pela palavra Bolívia.
Em 1826 a Constituição é redigida. Após um breve período de governo de Bolívar, a Assembléia elige como Presidente José Antonio Sucre, que fora Marechal na batalha de Ayacucho.
O CAOS E AS GUERRAS
Uma vez constituída a República, a história da Bolívia transforma-se numa caótica sucessão de guerras e conflitos, revoluções, inestabilidade econômica e política.
Uma revolução derrota Sucre e Santa Cruz assume o governo durante dez anos. Consegue abolir a Constituição bolivariana e impõe um plano de Federação do Peru e Bolívia. O Chile se opõe ao plano e invade o Peru para derrotar a Federação. Em 1841 a Bolívia é invadida pelo Peru, porém as tropas de Ballivian resistem e consolidam a República. Uma República onde desatam-se sangrentas lutas entre civis e militares; entre liberais e conservadores, resultando numa patente anarquia.
Entre 1879 e 1883 acontece a Guerra do Pacífico, onde o Chile vence o Peru e a Bolívia. Em decorrência, a Bolívia perde sua soberana saída para o Oceano Pacífico. Em 1880, Nicanor Campero é designado presidente e começa um período de certa estabilidade democrática, refletido por um desenvolvimento econômico baseado na exploração mineira da prata (em Sucre)e do estanho (Oruro e La Paz). Em 1888, durante o governo de Aniceto Arce, entra em operação a primeira ferrovia pública do país.
Em 1889 a paz interna tem um fim. Logo após uma guerra civil, os liberais derrotam os conservadores e tomam o poder. A Presidência é transferida de Sucre à La Paz.
Em 1904 começa um conflito com o Brasil pela exploração da borracha no eixo Beni-Pando. Depois da guerra do Acre, a Bolívia teve que ceder ao Brasil todo o território em disputa.
Finda a guerra da Borracha com o Paraguai (1932-1935), tornam-se frequentes os governos militares e os movimentos revolucionários.
Em 1960 um regimento de polícia em La Paz se rebela. Em 1965 os mineradores de estanho pressionam, com protestos, o governo militar. Em 1967, o exército boliviano assassina o guerrilheiro Ernesto Che Guevara, líder dos confrontos contra o governo.
Os governos militares se sucedem e a crise econômica se agrava com empréstimos solicitados ao Fundo Monetário Internacional.
Em 1982 o governo militar convoca eleições.
A VOLTA DA DEMOCRACIA
Em 10 de Outubro de 1982 o General Guido Vildoso Calderón entrega o poder a Hernán Siles Zuazo, da Unidade Democrática e Popular (UDP), eleito presidente por voto popular. Seu governo chega ao fim em 1985, quando é levado a renunciar diante de uma grave crise econômica, encurralado pela oposição parlamentária e as greves de fome da “Central Obrera Boliviana”. É sucedido por Paz Estenssoro, que tenta conter a inflação com um plano de austeridade que, entre outras consequências, fecha as empresas estatais.
No começo da década de 90 a política de privatização se flexibiliza e o capital estrangeiro começa a retornar.
Durante a presidência de Gonzalo Sánchez de Lozada, o Plano de Todos é adotado, um programa de reformas estruturais. Capitaliza com investidores estrangeiros as cinco principais empresas do Estado, entregando 50% aos bolivianos.Cria-se o sistema de regulamentação através de superintendências, leva-se adiante a descentralização administrativa, a Lei da reforma educativa e a Lei da reforma constitucional.
Seu sucessor na Presidência, Hugo Bánzer Suárez, enfrenta uma nova crise econômica, além da crise institucional gerada por graves denúncias de corrupção contra sua gestão. A recessão se agrava, o PBI pára de crescer e o governo decide erradicar os cultivos de coca, o que provoca uma reação imediata dos camponeses, que interditam as estradas de todo o país. Bánzer renuncia em 2001 por problemas de saúde.
Em 2003, durante a nova presidência de Gonzalo Sánchez de Lozada, milhares de pessoas marcham, exigindo que o gás da Bolívia não saia pelo Chile, além de manifestar-se contra a exportação de gás aos Estados Unidos. Após um mes de protestos, incluindo o fechamento de estradas, confrontos onde morrem civis, uma greve geral apoiada por partidos políticos, passeatas e distúrbios de todos os tipos, Sánchez de Lozada renuncia e foge para Miami.
Assume então o Vice-presidente, Carlos Mesa Gisbert, apoiado pelo exército.
Em 2004 o governo anuncia um aumento no preço do combustível, que é rejeitado pela população. Evo Morales, líder da oposição e dirigente sindical dos plantadores de coca, reivindica eleições antecipadas.
Em 18 de Dezembro de 2005, Evo Morales ganha as eleições presidenciais com 53,7% dos votos, e transforma-se no primeiro Presidente indígena da história boliviana. Entre 2009 e 2010 Morales consegue ser reeleito e o oficialismo ganha as eleições no Poder Legislativo e a maioria dos governos, prefeituras e conselhos.
O coração aborígene das montanhas"

A Bolívia é um dos países de maior elevação média do planeta. Entretanto, é também uma nação de extremos geográficos. O Altiplano localizado na região andina compreende uma paisagem montanhosa localizada a mais de 3.000 metros acima do nível do mar, com grandes diferenças de temperatura entre as estações. No inverno, o clima é úmido e chuvoso, enquanto o verão é áspero e seco. Ao sul, é possível encontrar uma região de vales áridos, embora irrigados por chuvas abundantes sazonais e encostas rochosas menos íngremes. A região mais fértil ao sul está localizada entre os vales montanhosos. O Chaco, localizado ao leste, possui altitude muito menor, com clima seco e planícies áridas. Embora ocupe a maior parte da área boliviana, sua população é escassa. Finalmente, há a região da Amazônia que faz fronteira com o Brasil e é caracterizada por seu clima úmido e florestas subtropicais fechadas.

A economia boliviana se baseia principalmente da extração de produtos primários. Estanho, prata, ferro, manganês e cobre constituem a principal fonte de receitas para o país. A extração de hidrocarbonetos, um sector ativo há relativamente poucos anos, vem gerando excedentes de exportação para suprir os países vizinhos.
Igualmente importantes são as remessas de dinheiro dos imigrantes que vivem em outros países na região e na Europa. O turismo é uma indústria tradicional na Bolívia, que gera uma receita significativa para as regiões mais visitadas por estrangeiros.
A Bolívia é o país com menor renda per capita na América do Sul, com alto desemprego e uma das maiores taxas de informalidade no mundo.

Mais da metade dos bolivianos fala duas línguas, sendo o castelhano e uma língua indígena, principalmente quéchua e, em menor proporção, o aimará. Cerca de 12% da população não fala o castelhano. Nos locais turísticos, é possível encontrar algumas pessoas que falam o inglês ou outras línguas estrangeiras, mas espera-se que o espanhol seja o modo de comunicação com os habitantes locais.
As características dos bolivianos variam significativamente entre cada região do país. Ainda é possível encontrar na região andina uma notável influência indígena. Por outro lado, no sul, a população geralmente possui uma mestiçagem mais acentuada, com um estilo étnico mais próximo do tipo latino-americano médio.
Embora a maioria da população seja nominalmente católica, a mistura da liturgia cristã com rituais animistas pré-colombianos deu origem a uma rica interpretação religiosa tão original quanto colorida.
Os bolivianos das diferentes regiões são muito atenciosos com os turistas e uma valiosa fonte de informações em locais onde é difícil encontrar informações precisas sobre rotas e facilidades para os viajantes.
Poucos países latino-americanos possuem uma variedade cultural tão extrema e a capacidade para manter intactas tradições ancestrais remotas ou enriquecidas com o sincretismo entre pré-colombianos e europeus. Seu povo, ainda que mestiço em sua maioria, é de etnia quéchua, aimará e guarani, com uma forte presença de grupos menores como urúes e collas.
As celebrações bolivianas tendem a atrair um grande público local e estrangeiro. Entre as mais coloridas está o Carnaval, realizado em fevereiro na cidade de Oruro e outras celebrações menores em outras grandes cidades, um festival conhecido pelo seu colorido e sincretismo entre os costumes indígenas e europeus. La Fiesta de la Virgen de la Candelaria é uma procissão religiosa em que os participantes realizam diversas procissões e rituais. Cada celebração é acompanhada por recitais de música folclórica, banquetes pratos locais e danças rituais que muitas vezes envolvem milhares de bailarinos e o público participante. O mais extremo deles é a celebração de Tinku, um curioso ritual realizado anualmente na cidade de Macha, em 3 e 4 de Maio, no norte do país, no qual homens e mulheres se apegam a socos. Os visitantes devem ter muito cuidado e evitar fazer parte das comemorações, visto que as lutas seguem regras difusas e muitas vezes causam lesões graves aos participantes.
Cada região da Bolívia possui sua música própria e instrumentos tradicionais. A cueca, o auqui-auqui e o Tinku são as danças mais populares do país. Os instrumentos musicais bolivianos mais renomados incluem a quena, uma flauta de cerca de cinquenta centímetros de cumprimento, sempre presente nas celebrações e festas na Bolívia, o Siku, um instrumento de sopro construído com longas fileiras de palhetas de cumprimento descendente, o Aykhori, ou marimacho, uma espessa palheta de cinco metros de comprimento ligada a uma menor em sua extremidade, que juntos produzem um som profundo e melancólico, e o charango, uma pequena guitarra de cordas duplas cujo corpo é construído com a casca de um tatu.
La Paz 15°00′S 68°20′O
Embora não seja legalmente a capital da Bolívia (segundo a Constituição, Sucre é a sede oficial do governo), La Paz concentra a atividade política do país. Fundada em 1548 por Alonso de Mendoza, a cidade de La Paz foi o epicentro do movimento de emancipação e sede em 1809 do primeiro governo Independiente da América Latina. Além disso, está localizada em uma região rica em sítios arqueológicos das culturas tiwancota e palca, com um rico legado de cerâmica e arquitetura.
Tiahuanaco 16°33′17.25″S 68°40′24.40″O
O complexo arqueológico de Tiahuanaco foi construído pela antiga cultura de mesmo nome aproximadamente em 1.500 AC. Estima-se que seu colapso e abandono ocorreu no ano 1.200. Seu monumento mais famoso é a Porta do Sol, um imenso bloco de pedra andesita de 10 toneladas, adornado com hieróglifos. Além disso, é possível visitar as ruínas da pirâmide de Akapana e o Templo, onde foi erguida uma parede decorada com 175 cabeças de diferentes feições, algumas delas sugestivamente parecidas com as etnias do Oriente e da África.
Lago Titicaca 15°49′52″S 69°19′3″O
A 3.812 metros acima do nível do mar, encontra-se o Lago Titicaca, o espelho d’água navegável mais elevado do mundo. De acordo com a mitologia inca, os primeiros integrantes desse império surgiram de suas águas. Durante séculos, seus bancos foram utilizados para fins cerimoniais. A região do lago é habitada pelos “kotsuña”, pertencentes à etnia Uru, um povo que construiu suas habitações sobre ilhas artificiais de totora (uma canácea fina originária dos Andes).
Parque Nacional Noel Kempff Mercado 14°21′51″S 60°49′13″O
Em romance “O Mundo Perdido”, Sir Arthur Conan Doyle descreve uma paisagem exuberante e virgem, habitada por espécies pré-históricas. Para escrever sua obra, o autor escocês se inspirou no Parque Nacional Noel Kempff Mercado, uma reserva natural localizada no departamento de Santa Cruz. Em 1,5 milhões de hectares, reúne uma impressionante diversidade de flora e fauna. Onças, pumas, cervos-do-pantanal, macacos, tucanos e águias são apenas algumas das espécies que habitam seu ecossistema.
Potosí 19°35′1″S 65°45′11″O
A cidade de Potosí preserva o esplendor dos tempos coloniais e a memória dos piores efeitos da colonização europeia sobre a população nativa. Fundada em 1545 pelo espanhol Juan de Villarroel, a cidade foi construída ao redor do Cerro Rico, forma como era conhecido a montanha que cerca a cidade. No interior da colina, foram encontradas as veias de prata mais ricas do continente, que, até o século XVI, transformaram a cidade em uma das maiores e mais luxuosas do mundo, com uma população maior que a de Paris ou Madrid nesse momento. No entanto, a extração levou à morte de milhares de recrutados à força para trabalhar na “mita”, um sistema de trabalho semi-escravo que os obrigava a extrair prata em turnos de 14 horas em túneis escuros e mal ventilados nas minas.
Salar de Uyuni 20°15′S 67°30′O
O maior salar do planeta se encontra em Uyuni, uma planície branca e interminável localizada no departamento boliviano de Potosí. Há 40 mil anos, um lago de origem marinha perdeu sua água, expondo grandes quantidades de sal que, em alguns locais, chegam a ter 10 metros de profundidade. A cada ano, produz cerca de 25 mil toneladas de sal de altíssima qualidade. O salar é também considerado uma das principais reservas de lítio. Nas cavernas ao redor do salar, foram descobertas múmias cuja datação rendeu uma idade aproximada de 3 mil anos.
A Bolívia é acessível a partir de outros países por inúmeras companhias aéreas. Embora as principais localidades do país estejam ligadas a uma rede de estradas em condições aceitáveis, mais da metade das vias fora delas é frequentemente rústica e mesmo intransitáveis por veículos convencionais. Recomenda-se o uso de guias locais para as etapas de montanha ou as rotas mais acidentadas, onde as regras de trânsito são improvisadas de acordo com as condições.
Os trens que ligam as grandes cidades são um meio de transporte barato, mas o passageiro deve ser paciente para realizar uma jornada que às vezes ocorre lentidão e atrasos consideráveis. Deve-se considerar ainda que as rotas são geralmente longas e sem luxos. A opção é pegar um dos ônibus que viajam dentro do país, uma forma pitoresca e às vezes aventureira de conhecer os hábitos mais íntimos dos habitantes.
Em algumas áreas, na ausência de outros meios de transporte, os trajetos são feitos por caminhões que transportam passageiros em seus reboques.

Chairo
Trata-se de um dos pratos mais comuns da cozinha de La Paz. Consiste em uma sopa preparada à base de carne seca de cordeiro, chuño (batata seca), batata-doce, motes (grãos de leguminosos previamente cozidos em água) e locoto verde, uma variedade de pimentão picante muito apreciada no Altiplano (Dicas: o chairo é servido bastante quente, e juntamente com o locoto picante, pode ser uma prova de resistência do paladar a sabores extremos)
Picana de Navidad
Um dos pratos mais complexos da cozinha boliviana, consiste em pedaços de carne de boi, carneiro e frango, temperados com vinho e cerveja durante o cozimento. Adiciona-se também cebola, pimentões quentes, cenouras, nabos, aipo, batata, abobrinha e folhas de louro. O prato é servido com milho cozido em anis e açúcar e chuño hidratado com recheio de queijo. (Dica: este é um prato de alto teor calórico, ideal para recuperar as forças após um passeio. Por essa razão, não é recomendável planejar aventuras imediatamente após o consumo)
Huarjato
Os amantes da comida exótica encontrarão no Huarjato um prato para se comentar. Trata-se de um guisado preparado com a cabeça de um porco e pedaços do animal fervidos com porções de papa, chuño e arroz. A sopa resultante é servida com cebola refogada e pimentões quentes. (Dicas: embora o costume local considere uma forma de cortesia servir a cabeça do porco ao convidado, este deve indicar sua predisposição para aceitar esta honra)
Sajta de Pollo
Este prato é um dos mais comuns da cozinha boliviana. Sua preparação é feita com franco picante, temperado com um molho à base de amendoim e chuño, frequentemente acompanhado de motes e uma variedade de legumes.
Chicharrón boliviano
Embora o torresmo seja um prato comum em vários países da região, os bolivianos possuem sua própria variedade desta delícia gastronômica. Prepara-se pedaços de carne e Cudeyo (geralmente carne de boi, porco ou cordeiro) em gordura animal quente. Enquanto cozido em fornos ou fogões a lenha, acrescenta-se regularmente chicha. É servido com porções de mote, batata cozida e um molho feito com tomates, pimentões e folhas de llajwa, uma planta local de sabor particular. (Dicas: o prato geralmente é abundante e é aconselhável compartilhá-lo a fim de evitar uma indigestão)
Silpancho
É um prato típico da cozinha de Cochabamba. É constituído por uma fatia circular de carne esmagada e coberta com migalhas de pão, que depois é frita em óleo. É servida com arroz, batata frita e mistura de cebola e locoto picado. Em geral, coloca-se sobre a carne um ou dois ovos fritos.
Bebidas típicas
Chicha
É talvez a marca da Bolívia. A versão local é preparada a partir da fermentação do milho e seu consumo é maior durante as celebrações e rituais do país. A chicha chamba é feita a partir da fermentação do milho e tem baixo teor alcoólico. Em algumas regiões da Bolívia, é possível consumir chica laqto, uma variedade preparada por meio de uma técnica incomum: os grãos de milho são mastigados pelos habitantes locais, que, em seguida, cospem em uma bacia, que é posta para fermentar durante várias semanas. O produto é então preparado e consumido.
Api
Esta bebida, consumida como aperitivo e em geral acompanhada de bolos doces, é obtida a partir da mistura cozida de farelo de grãos de milho roxo, açúcar e canela.
Tojorí
Servida em bares e ruas em toda a Bolívia, o tojorí é preparado a partir de um mingau de milho willkapuru, que é previamente triturado em um almofariz ou esmagador. Pode ser acompanhado de leite fervido ou api. Nas regiões mais quentes, o leite é substituído por água fria.
• A maior parte da Bolívia está mais de 3 mil metros acima do nível do mar. Um chá de folha de coca pode ser a melhor maneira de recuperar do mal da montanha. O consumo de folha de coca é permitido no país, mas não é aconselhável levar na viagem de volta.
• Considerando que o salário médio na Bolívia é de pouco menos de 100 dólares americanos, os roteiros e as compras são geralmente muito baratos para os visitantes.
• Não existem meios adequados para os visitantes fora das rotas turísticas tradicionais. Nesse caso, a permanência nas casas dos assentados é uma opção interessante, mas caso se deseje explorar os costumes e tradições de cada região.
• Barganha é uma prática comum em comércios ligados ao turismo.
• A Bolívia implementa uma política ativa de proteção da sua herança cultural, de modo que a depredação dos sítios arqueológicos é passível de punição severa, com multas e até prisão. Os aeroportos e terminais possuem inspetores especializados para detectar itens retirados do país como contrabando. Alguns comerciantes inescrupulosos muitas vezes oferecem estatuetas ou taças de venda proibida aos turistas sem informar sua origem, que frequentemente são confiscadas pelas autoridades.
• Fora das rotas turísticas tradicionais, as condições de saneamento e conforto estão abaixo das expectativas médias de outros destinos. Recomenda-se uma avaliação cuidadosa ao se expor a fatores que possam afetar o plano de viagem dentro da Bolívia.
• A Bolívia possui sistemas precários de saúde pública e água potável e, por isso, recomenda-se o uso de água engarrafada e consumo de alimentos nas instalações habilitadas a fim evitar o risco de cólera, hepatite, poliomielite, tétano e salmonela. Nas regiões tropicais, há relatos de casos de malária, febre amarela, tifo, e doença de Chagas. Há casos de raiva animal, de modo é aconselhável evitar o contacto com espécies selvagens e domésticas não-urbanas. No entanto, há poucos relatos de doenças que afetam os visitantes fora das rotas turísticas.
• As autoridades exigem um certificado de vacinação contra a febre amarela para a entrada no país.
• Na Bolívia, utiliza-se a corrente elétrica de 220 volts, exceto na cidade de La Paz, onde tanto 110 e 220 volts são utilizados. O turista deve perguntar sobre a tensão de cada local antes de se conectar à rede. As áreas rurais remotas geralmente não possuem linhas de energia.
• Conectar-se à Internet na Bolívia é muitas vezes uma aventura aparte por se tratar de um dos países com o menor número de terminais no continente. Recomenda-se não se comprometer a enviar mensagens ou imagens até o regresso no país de origem.
La Paz
Tiahuanaco. El complejo arqueológico de Tiahuanaco fue construido por la antigua cultura del mismo nombre en un periodo cercano al 1.500 AC. Se estima que su colapso y abandono sucedió en el año 1.200. Su monumento más famoso es la Puerta del Sol, un inmenso bloque de piedra andesita de 10 toneladas adornado con jeroglíficos. Además, es posible visitar los restos de la pirámide de Akapana y el Templo, en donde se levanta una pared adornada con 175 cabezas de diferentes facciones, algunas de ellas sugestivamente parecidas a razas situadas en Oriente y África.
Lago Titicaca. A 3.812 metros sobre el nivel del mar, se encuentra el Lago Titicaca, el espejo de agua navegable mas alto del mundo. De acuerdo a la mitología inca, de sus aguas surgieron los primeros integrantes de ese imperio. Durante siglos sus orillas fueron usadas con fines ceremoniales. En el lago viven los “kotsuña”, pertenecientes a la etnia Uru, un pueblo que construyó sus viviendas sobre islas artificiales de totora (una caña fina originaria de los andes).
Tiwanaku
Puerta del sol
El monumento mas famoso de Tiwanaku es una inmensa escultura de piedra labrada en una sola pieza de 10 toneladas de peso. Sus petroglifos describen hechos míticos de una cultura antigua y aun no identificada.
Piramide de Akapana
La pirámide escalonada de Akapana es en realidad una inmensa construcción de 8.000 metros perimetrales cuyo propóstio habría sido el alojamiento de la nobleza y la realización de rituales.
Templo de Kalasasaya
El también llamado Templo de las Piedras Paradas, servía para fines de medición astronómica. Cubre unas dos héctareas y las piedras de los muros que la rodean han sido tan precisamente, que no necesitan argamasa y aún así es imposible pasar un papel por sus intercisios.
Putuni
Denominado también como Palacio de los Sarcofagos, es una construcción del periodo tardío de Tiwanaku. En su recinto de dos héctareas de superficie, se han encontrado numerosas cámaras funerarias.
Kerikala
Las investigaciones arquelógicas han determinado que la zona de Kericala tenía por propósito alojar a los sacerdotes y su personal de servicio.
Titicaca
Isla del Sol
Esta isla era considerada un lugar sagrado paor los incas y aún es posible hallar los restos de un antiguo templo que servía para alojar a la nobleza del imperio. La mitología inca dice que desde allí surgieron Manco Capac y Mama Oclio, fundadores de Cuzco.
Copacabana
La principal ciudad boliviana del lago Titicaca, copacabana, es el reflejo del sincretismo entre las antiguas creencias incas y el cristianismo. Su afamada Basílica del Santuario, es testigo de los coloridos carnavales que cada año atraen a miles de visitantes de todo el mundo.
Comunidad Uru
La comunidad aborígen Uru Kotsuña, se ha hecho célebre por las islas artificiales que fabrican con las fibras de totora, y que les sirven para desarrollar su vida sin necesidad de tocar tierra firme.
Isla de la Luna
Llamada Koati por los antiguos incas, la isla contaba con edificaciones para alojar a las Vírgenes del Sol, mujeres que eran escogidas para ser parte del sequito del emperador.