
O país da História
Relacionado eternamente com o deserto e as pirâmides, o Egito é um país que possui uma história rica e apaixonante. Recentemente sacudido por uma rebelião social sem precedentes, o Egito não perde o encanto na hora de conhecer seu passado.
O ANTIGO IMPÉRIO E AS PIRÂMIDES
Segundo estudos arqueológicos, os primeiros rastros humanos do Egito remontam ao período situado entre os anos 5.500 AC e 4.000 AC, e pertencem a cultura Badariana, encontrados no Baixo Egito. Os badarianos foram sucedidos pelos Gerzeanos no Alto e Médio Egito, e pelos Maadis, na região do Baixo Egito. Porém, a partir do ano 3.050 AC, a reunificação egípcia aconteceu, sob a coroa do Imperador Menés.
A unificação produziu o Império Antigo, período de esplendor do Egito durante o qual construiu-se um dos símbolos mais impressionantes da engenharia antiga: as pirâmedes de Quéfren, Quéops e Giza. Além do mais, o Egito extendeu seus domínios até a península do Sinai e as nascentes do Nilo, conseguindo deste modo um poderio militar e econômico sem precedentes. Entretanto, um período de fome, guerras e rebeliões, pôs fim à dinastia governante, que foi substituída por um novo faraó de Tebas.
Em 2.250 AC inicia-se o conhecido Primeiro Período Intermediário, caracterizado por um grande desenvolvimento cultural e religioso. Esta prosperidade permitiu a construção de canais para controlar as inundações do rio Nilo, do qual dependia a prosperidade do império. No ano 1.800 AC, os Hicsos invadiram o Egito, sendo expulsos em 1.550 graças a um exército organizado em Tebas. A liberação egípcia deu lugar a uma dinastia de faraós guerreiros que realizaram sucessivas campanhas de expansão territorial. Durante este período, os egícios conquistaram a Núbia, extendendo as fronteiras do império até o rio Eufrates. Ademais, surgia a figura do faraó Akhenaton, que promoveu uma reforma religiosa e tentou implantar uma filosofia monoteísta no Egito. Além do descontentamento da poderosa casta de sacerdotes, sofreu ainda uma ofensiva dos hititas nas colônias da Ásia. Sucedendo Akhenaton, que não havia sido exitoso em suas reformas, seguiu-se uma nova geração de reis guerreiros, que batalharam contra os hititas e derrotaram uma invasão dos “povos do mar”, uma civilização até hoje, não classificada.
Nos anos seguintes, a coroa egípcia foi dividida entre os governantes originários da Líbia. Entre o século VI AC e I AC o Egito ficou, primeiramente, sob o domínio persa e em seguida pelos gregos da Macedônia, comandados por Alexandre, o Grande. Em 300 AC, o período helenístico deu origem a dinastia ptolmaica, da qual surgiria a renomada rainha Cleópatra. Foi precisamente sob seu mandato, que Roma juntou- ao império egípcio, depois de derrotar as tropas faraônicas na batalha de Actium, ocorrida em 31 AC. Com o fim do império romano e o surgimento do Bizantino, o Egito passou a ser governado pelo império do oriente, com sede em Constantinopla.
OS MUÇULMANOS CHEGAM AO EGITO
Por seu lado, os muçulmanos entraram no Egito e o conquistaram no ano 640. Apesar do domínio cristão haver desencorajado a prática das antigas crenças egípcias e tentado converter a população ao catolicismo, os símbolos e ritos ancestrais continuaram sendo praticados em muitos lares egípcios. O surgimento da igreja copta cristã, demonstra a decisão dos egícios em aceitar a evangelização, porém sem submeter-se aos princípios religiosos ditados por Constantinopla.
A chegada dos muçulmanos em 639 levou a uma política de tolerância para com os grupos católicos e judeus que viviam no Egito, ao mesmo tempo que os ensinamentos do Alcorão ganhava inúmeros adeptos na sociedade. Com o islamismo, chegaram os governantes árabes e, consequentemente, a progressiva imposição de sua cultura sobre os egípcios. A arabização do Egito significou a aceitação de que o Islã havia se transformado na força política e religiosa dominante.
A chegada dos fatimids na região do Magrebe no ano 972, deu lugar a um novo período de esplendor nas artes e nas ciências, graças a uma política de tolerância que acabou com boa parte do sistema de castas que segregava os cidadãos de acordo com as diferentes etnias e religiões. Entretanto, a chegada ao poder do Califa Al Hakim deu início a um período de decadência e intolerância que atingiu grupos judeus e cristãos que viviam no Egito. Rebeliões e guerras, ocorridas nos tempos de Hakim, reduziram o território egípcio a um mínimo histórico, tanto em seu poderio militar como econômico.
Enquanto a cidade de Ascalon era tomada pelas cruzadas cristãs e o Egito enfrentava uma guerra entre os grupos que queriam tomar o poder, o governo de Damasco, que administrava o califato egípcio, enviou uma força militar, comandada pelo general Shirkuh, para retomar a ordem e expulsar as cruzadas. Shirkuh alcançou ambos objetivos e recebeu o cargo de vizir do Egito. Foi sucedido por seu sobrinho, Saladino, no ano de 1169, que executou uma brilhante reforma administrativa e jurídica, ao mesmo tempo em que pôs um fim às últimas tentativas de rebelião. Sua personalidade devota e tolerante com outras religiões, juntamente com a coragem demonstrada nos campos de batalha, conquistaram o respeito de muitos adversários católicos. Em 1244, Saladino tomou a cidade de Jerusalem dos cruzados cristãos, vitória que o transformou em líder e herói do mundo muçulmano.
Depois da morte de Saladino, o poder em 1250 passou aos Mamelucos, casta guerreira originária do Cáucaso, que era utilizada como força de elite na luta contra os cruzados, e que havia chegado ao Nilo junto com o conquistador de Jerusalem. O período dos mamelucos terminou quando o Egito foi cooptado pelo Império Otomano.
Em 1609, uma rebelião estourou em todo o Egito, num protesto contra a nomeação de Pasha Mohammad, que havia sido designado pelos otomanos. A razão do descontentamento residia nos abusos das tropas e governantes contra o povo egício e o sistema tributário, que os deprivava do produto de seu trabalho. A revolta foi aplacada de forma brutal, porém o sentimento independista não diminuiu, apesar da derrota.
A partir de então, os Pashas foram perdendo poder no Egito e foram substituídos pelos mamelucos, que administravam as cidades. Em 1766, o mameluco Ali Bey conseguiu tomar o poder no Egito e demonstrou claramente sua decisão de não acatar as ordens otomanas, quando negou enviar tropas locais para combater na Rússia. Ali Bey nomeou-se Sultão do Egito depois de livrar-se de outros líderes mamelucos. Em seguida, enviou tropas para conquistar os territórios da península arábica e tomar controle da cidade sagrada de Meca. Porém, em Abril de 1773, tropas otomanas entraram no Egito e aprisionaram Ali Bey, o que fez com que o Egito, durante anos, passasse por escassez e penúrias, em função da incapacidade destes governantes.
FRANCESES E BRITÂNICOS NO EGITO
Em 1798, tropas francesas a mando de Napoleão Bonaparte invadiram o Egito e adicionaram seu território ao império liderado pelo general. Entretanto, após a retirada dos franceses, os otomanos apoiaram, em 1805, a ascensão de Mehmet Ali a rei do Egito. Com o apoio dos turcos, o novo monarca iniciou em 1811 uma campanha para neutralizar o poder dos mamelucos e assegurou sua autoridade sobre o território egípcio. Em seguida, partiu para conquistar o Sudão, Arábia e Síria. Com suas tropas, avançou sobre Medina e Meca, logo depois passando pelo Acre e ameaçando a capital otomana, Istambul. Os otomanos pediram apoio à França e Inglaterra, com quem se aliaram para derrotar os egípcios.
Apesar de derrotado e obrigado a deixar suas possessões acima do Sinai, Mehmet as utilizou para reorganizar o Egito e iniciar a modernização de sua economia com a ajuda dos franceses. Foi um período de crescimento, durante o qual continuou as obras para melhorar a irrigação nas margens do Nilo e organizou a base industrial do país. Em 1874, logo após uma aproximação do Egito com o poder britânico, capitais ingleses construíram o Canal de Suez. A importância estratégica, recém adquirida pelo Egito, levou os britânicos a interferir nos assuntos internos locais e tomar uma série de ações que debilitaram o poder do monarca. A partir do fim do século XIX, já tinham controle da economia, tropas e da política egípcia, incorporando o país como uma colônia de fato de seu vasto império.
Em 1882, uma rebelião liderada pelo coronel Ahmed Orabi tentou expulsar os britânicos, que reagiram enviando uma força militar de ocupação que rendeu os nacionalistas egípcios. Ato contínuo, o Egito foi nomeado protetorado britânico.
Os esforços do Pasha Ahmad Saki em recuperar a autonomia egícia deram frutos em 1922, quando a coroa britânica concordou com um governo local, apesar de conservar o direito de manter guarnições no território e controlar suas relações exteriores. Em 26 de Agosto de 1936, o Egito proclamou sua independência, porém a Grã-Bretanha conseguiu com que a nova nação aceitasse que tropas e administradores do país mantivessem o controle do Canal de Suez, razão pela qual o Egito adotou uma monarquia parlamentarista, com o rei Farouk como chefe de estado.
OS CONFLITOS COM ISRAEL
Durante a Segunda Guerra Mundial, tropas alemães do African Korps de Erwin Rommel, fracassaram durante uma tentativa de tomar o Egito. Neste momento, o nacionalismo seguia ganhando adeptos no Egito, e o fracasso na guerra contra Israel em 1948 havia gerado uma insatisfação com a monarquia sem volta. Em 26 de Julho de 1952, uma rebelião militar foi deflagrada, derrotando o rei e proclamando a república, em 18 de Junho de 1953. Um ano mais tarde, o general Gamal Abdel Nasser derrotou o presidente Muhammad Naguib e tornou-se presidente. O discurso de Nasser afastou o Egito do grupo ocidental e o aproximou dos soviéticos.
Em 1956, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, que possuía maioria acionária fraco-britânica. Aliados a Israel, os governos da França e Reino Unido desferiram uma devastadora invasão surpresa contra o Egito, em 31 de Outubro de 1956. A pressão conjunta dos Estados Unidos e União Soviética obrigou a retirada dos invasores.
Apesar da derrota, Nasser firmou-se e iniciou uma série de reformas a fim de eternizar-se no poder. Declarou seu partido, a União Nacional, como o único partido legal. Em seguida, lançou uma série de medidas populistas que incluíram a nacionalização dos serviços públicos e meios de produção.
O clima de tensão com Israel foi aumentado pelo bloqueio egípcio contra o porto de Eliat, no Mar Vermelho. Em 5 de Julho de 1967, um ataque fulminante das tropas e aviões israelenses contra o Egito, Jordânia, Iraque e Síria provocou um desastre total nas fileiras árabes. O conflito, conhecido como Guerra dos Seis Dias, foi uma catástrofe para os egípcios e significou a perda da península do Sinai, que foi posteriormente anexada por Israel.
Em 1970 o presidente Nasser faleceu e foi substituído por seu vice-presidente, Anwar El Sadat. O novo mandatário começou a afastar-se da influência soviética e aproximar-se dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, deu início a um programa de reformas para liberalizar o estado e desmontar a imensa interferência estatal na economia.
O acordo de Camp David, assinado em Washington em 17 de Setembro de 1978 pelos governos egípcios e israelenses, pôs uma pausa ao confronto entre as duas nações e conseguiu alguns avanços substanciais, como a devolução ao Egito da península do Sinai e o reconhecimento do estado israelense por parte do governo do Cairo.
O COMEÇO DE HOSNI MUBARAK
O presidente Sadat, que havia negociado sem o consentimento das outras nações árabes, foi acusado de traição pelos grupos mais fundamentalistas do mundo árabe. Em 6 de Outubro de 1981, Sadat foi assassinado por um grupo de nacionalistas fanáticos durante uma parada militar. Seu sucessor foi Hosni Mubarak, até então vice-presidente do Egito.
Mubarak tentou aproximar o Egito da comunidade árabe, porém seu apoio político aos Estados Unidos no Oriente Médio, dificultaram seu objetivo. Tampouco sua decidida participação na coalisão que invadiu o Iraque em 1991 e sua posição ambígua com relação a comunidade palestina dominada por Israel. Estas circunstâncias, somadas a um elevado índice de pobreza, foram terreno fértil para o crescimento de grupos fundamentalistas islâmicos na sociedade egípcia.
Em Janeiro de 2011, milhares de jovens egípcios que exigiam maior liberdade política e civil, fizeram imensas e importantes manifestações que, logo após vários dias de confronto com grupos oficiais, derrubaram Hosni Mubarak do poder, depois de trinta anos.
O país da História"

O território egípcio pode ser dividido em cinco ecossistemas diferentes. A região central, fértil pela presença do rio Nilo, começa nas cataratas que dão origem ao curso da água e terminam na região do delta que desemboca nas águas do Mediterrâneo. Do lado oeste extende-se o imenso deserto do Saara, com um clima seco e quente durante o dia e gelado pela noite. O leste é ocupado por montanhas de temperatura regular e por vales áridos, onde a seca e a alta dispersão térmica dificultam o assentamento humano. Por último, encontram-se as regiões do litoral do Mediterrâneo, beneficiadas pelos ventos úmidos e as temperaturas mais temperadas. As margens do Mar Vermelho são áridas, menos úmidas e mais quentes que as mediterrâneas.

O Egito possue uma economia com intervenção estatal média, concentrada principalmente na produção agrícola. Desde 1991, estabeleceu-se um programa de privatização de empresas estatais e uma reforma agrária, que é complementada com obras de engenharia para tornar o aproveitamento do Nilo mais eficiente. A represa de Assuã, construída em 1970, aumentou as terras irrigadas e a capacidade energética do país.
Apesar dos esforços feitos durante décadas, a divisão da riqueza nacional é muito desequilibrada, e portanto os grandes bolsões de pobreza constituem um problema grave no Egito.
As terras férteis do Nilo representam 3,5% da superfície do país. O Egito é um grande produtor de algodão, arroz, trigo, milho, cana de açúcar, batata, laranja, cítricos e hortaliças. Seu setor pecuário está voltado para a produção de gado bovino, de búfalo, ovelha, cabra, burros e aves de abate. Na mineração, o Egito possue depósitos de petróleo, gás, fosfato, sal e ferro.
A indústria egípcia é uma das mais antigas e fortes do norte africano. É extremamente desenvolvida em produtos têxteis, automotores, químicos, eletrônicos, siderúrgicos e derivados de petróleo.
Outra importante fonte de divisas é o turismo. As remessas de dinheiro enviadas por cidadãos egípcios residentes no exterior e o setor terceário tornaram-se bastante relevantes economicamente nos últimos tempos.
O alto percentual de informalidade econômica egípcia gerou uma deficiência na entrada de recursos no estado por vários anos, quadro que os economistas e governantes locais vem tentando reverter com relativo êxito.
possui poços de petróleo, gás natural, sal e ferro."

O Egito é a nação árabe de maior população do mundo. De seus habitantes, 98% concentram-se nas margens do rio Nilo, criando grandes espaços despovoados.
A maioria dos egípcios pertence à etnia que habita o Nilo desde o tempo dos faraós. Existem cerca de 1,3 milhões de beduínos que, em sua maioria, vivem no Sinai; 1,3 milhões de núbios na fronteira com o Sudão; 177.000 bejas e 100.000 refugiados palestinos na região da fronteira com Israel. Além disto, o Egito abriga 150.000 refugiados iraquianos e um número não identificado de expatriados sudaneses, cujo número pode chegar a 2 milhões de pessoas.
O governo egípcio não reconhece a existência de outro idioma além do árabe. Entretanto, existe uma comunidade bastante numerosa de pessoas que falam o árabe Badawi, dialeto próprio dos beduínos de Gray. Um número similar de ciganos tem como língua mãe os dialetos Nawar e Helebe, do idioma cigano. O dongola é falado pelos pertencentes à etnia núbia, habitante do sul do Egito e o idioma besharin pelos bejas do litoral do Mar Vermelho, os nômades berberes do Saara.
Nove entre cada dez egípcios pertence à ramificação muçulmana sunita. O cristianismo cóptico é praticado por 9% da população. Outras comunidades menores como a judaica, a ortodoxa grega, a armênia e as protestantes representam parcelas mínimas da sociedade.
O Egito conserva as características principais de sua milenária cultura, que foi incorporando elementos das diferentes culturas que chegaram à região ao longo dos séculos, sem entretanto perder os elementos essenciais que lhe conferem um caráter único e especial.
Seu passado rico e complexo pode ser visto em sua arquitetura e imponência de seus monumentos históricos. As famosas pirâmides egípcias, a única das sete maravilhas da antiguidade que ainda seguem de pé, simbolizam a importância da cultura egípcia na história da humanidade. Outras construções, como os magníficos templos de Tebas e Assuã, fazem do Egito um verdadeiro paraíso para o turista interessado em história. Porém as mesquitas e madrasas, as antigas edificações gregas e romanas, os palácios otomanos, as construções inglesas e os bunkers utilizados nos conflitos (contra israelenses, franceses e nazistas) oferecem um passeio pelos diversos períodos históricos do país.
A arte egípcia percorre milhares de anos de história e inclui desde os afrescos e hieróglifos das diferentes dinastias faraônicas até as eleboradas caligrafias da arte islâmica egípcia. Os templos coptos guardam relíquias preciosas do cristianismo egípcio, tão interessantes quanto as desenvolvidas pelos diversos regimes governantes.
A música egípcia é caracterizada pelo uso do alaúde, da simsimiyya e da harpa, instrumentos típicos da cultura local. O “magamat” é uma forma de canto entoado, próprio do norte da África e muito popular no Egito. Em geral, as peças são compostas para serem interpretadas por vozes masculinas, entre os quais Mohamed Mounir e Amir Diad são sucesso absoluto, apesar do êxito de artistas femininas como Om Kolthum. Os gêneros musicais mais populares são o zkir, o saidi, a música núbia e as composições religiosas executadas nas celebrações “mulids”. O sawahli das regiões litorâneas extendeu-se por todo o país, que ao mesmo tempo, incorporou rítmos e estilos ocidentais como o rock (na versão local, o Al Jeel), as baladas românticas e o rap.
A dança egípcia têm sido bastante estereotipada em torno da “dança do ventre”, apesar de sua difusão ter ocorrido muito mais devido aos filmes de hollywood do que em função da preferência local, que considera o estilo como um pouco vulgar. Os diferentes estilos de dança entretanto, valorizam mais o movimento do corpo, já que o erotismo é considerado impróprio pelas leis islâmicas.
Cairo 30°03′″N 31°22′″E
A capital egípcia nasceu numa antiga fortaleza persa abandonada, reconstruída pelos romanos no ano 116 AC. Na verdade, é a cidade árabe de maior população da África e centro da vida política e cultural do país. Na periferia, encontram-se as pirâmides que deram fama ao Egito, na região de Guizé. Ao lado delas, está a misteriosa Esfinge, cuja data de construção e propósito ainda geram controvérsias. O local ainda conta com os templos de Jafra, Hetepheres e Menkuara, entre outros monumentos dos tempos faraônicos. A cidade do Cairo é também conhecida como “cidade dos mil minaretes, pela quantidade de mesquitas que concentra. A mesquita e madrasa de Hassan é provavelmente a maior e mais visitada da cidade, ainda que sua fama seja bastante comparada com a de Ahmad Ibn Tulun, construída em 879 e a mais antiga da cidade. Os antigos mercados, ou “suks”, especialmente o de Khan al Khalili, são símbolos de tradição e habilidades ancestrais.
Tebas 25°43′59″N 32°36′0″E
Em 2.050 AC, Tebas transformou-se na capital do império egípcio. Apesar de nos anos seguintes disputar e perder seu status de principal cidade da região, conseguiu conservar sua importância como um dos principais centros religiosos e comerciais do Nilo. Seu monumento mais célebre é o Templo de Luxor, cujas ruínas forneceram informações fundamentais para compreender a vida durante a época dos faraós. Também abriga o Templo de Karnak, um pequena cidade cujo interior conserva uma variedade de templos dedicados aos deuses egípcios. Perto dali, encontra-se o Vale dos Reis, um cemitério onde foram construídas tumbas de inúmeros faraós. A quantidade de tumbas reais, templos e edificações encontradas em Tebas, transformaram-na numa espécie de meca do turismo arqueológico.
Assuã 24°05′N 32°54′E
Anteriormente chamada “Swenet”, a cidade de Assuã era o limite meridional do império egípcio. Além da cidade, encontravam-se ali as primeiras cataratas do rio egípcio, fato que tornava sua navegação impossível. Acredita-se que foi fundada há 3.000 anos e seu nome é derivado de uma antiga divindade do panteão egípcio.Em 1970, o governo egípcio começou a construção da maior represa do mundo em Assuã, o que obrigou a transferência de alguns templos milenários para outros locais, evintando que fossem inundados pelo lago Nasser. O Templo de Horus, o mais bem conservado do Egito, reflete a imponência da arquitetura egípcia e os engenhosos métodos para manter arejados e frescos os recintos sagrados. Milhares de pinturas e hieróglifos descobertos em Assuã foram fundamentais na reconstrução da história faraônica. Pode-se também visitar as antigas pedreiras que forneceram o material para a construção dos monumentos no Baixo Egito e observar a técnica de extração das pedras no obelisco inacabado em uma pedreira próxima ao Templo de Philae, na Ilha de Agilkia.
Alexandria 31°11′53″N 29°55′09″E
O porto de Alexandria foi fundado no ano 331 AC por Alexandre, o Grande, depois de conquistar o Egito. Desde a antiguidade, a Alexandria já era famosa pelo farol monumental na entrada de sua baía, obra considerada uma das maravilhas do mundo naquela época. O esplendor do período alexandrino do Egito encontra-se exibido no Museu Greco-Romano, uma magnífica construção de 1893. Sob a cidade, encontram-se as catacumbas de Kom el Shoqafa, um tortuoso cemitério descoberto em 1901. No distrito de Karmuz, encontra-se a solitária Coluna de Pompeu, último vestígio do Templo de Serápis construído nos tempos de Ptolomeu. A presença romana ficou registrada no Teatro Romano, um anfiteatro que servia para confortar os governantes do império. A cidade também oferece a possibilidade de observar as ruínas submarinas do antigo porto e da mítica Biblioteca de Alexandria, destruídas por um terremoto ocorrido no ano 365.
O aeroporto internacional do Cairo é bem interligado com as rotas aéreas internacionais. Os vôos domésticos, em sua maioria, são feitos pela Egyptair e Air Sinai, apesar dos cancelamentos frequentes.
Por via marítima, os portos de Alexandria, Said, Suez e Damietta conectam o Egito com os países do Mediterrâneo por balsas. Outras linhas cobrem o Mar Vermelo. Uma das opções mais interessantes para percorrer o Egito é tomar um cruzeiro que percorra o Nilo e conhecer as diferentes cidades que se desenvolveram nas margens do famoso rio.
Pode-se também chegar ao Egito por via terrestre, em ônibus ou carro, pelas estradas que fazem fronteira com a Líbia, Israel e o Sudão. Há que levar em consideração os perigos, já que o Sudão atravessa um conflito interno e em Gaza, a revista dos guardas israelenses podem ocasionar um pouco de tensão e atraso. No caso da fronteira oeste, o desafio dos caminhos pelo Saara exigem precauções, devido a seu clima tórrido. Existe também um risco de assalto nas rotas do deserto, especialmente durante a noite.
No Cairo e na Alexandria, os engarrafamentos de trânsito podem ser monumentais, às vezes levando horas para trajetos relativamente curtos, em meio a um oceano de automóveis, motoristas enlouquecidos e um barulho de buzinas capaz de enlouquecer qualquer um.
O Egito conta com uma das mais extensas redes ferroviárias do mundo, que ligam as regiões povoadas. O serviço em geral é bom, apesar dos trens serem antigos, porém os funcionários ferroviários fazem um grande esforço para que o percurso seja tranquilo. Existe também a opção do serviço dos ônibus de turismo, além do transporte público, cuja comodidade é bastante ruim se comparado aos demais transportes exclusivos para viajantes estrangeiros.

Ful medames
O Ful medames é o prato nacional típico do Egito e, como tal, pode ser saboreado até nos locais mais remotos do país. Preparado com massa de favas fervida em azeite de oliva e alho. Quando estão macias, serve- com uma mistura de cebola e salsa picada. Temperada com limão e ervas, come-se com pão pita. A receita tradicional diz que as favas devem ser cozidas em panelas de bronze para alcançar o sabor ideal. (Dica: por ser um prato forte, o ful medames deve ser consumido com moderação em dias quentes ou antes de atividades físicas.)
Molokhia
As ruas egípcias enchem-se de perfume com o aroma da Molokhia preparada na hora. A molokhia é uma sopa típica da gastronomia árabe e muito popular no Egito. Preparada com folhas de malva molokhia (verdura típica da região) picadas bem fininhas, mergulhadas num caldo preparado com cebola, sal e pimenta. Em seguida, junta-se um molho de “tagleya”, feito com azeite, alho e cilantro seco. Pode ser servida também com molho de tomate, para dar um sabor diferente ao prato. Um prato de arroz branco é servido como acompanhamento, para dar um pouco mais de consistência ao prato. (Dica: a molokhia pode ser preparada de diferentes formas, dependendo da região).
Pombas recheadas de Ferik
Esta exótica receita faz parte exclusivamente da cozinha egípcia. Prepara-se com dois peitos de pombo passados na farinha e sal. Em separado, prepara-se um refogado com os miúdos da ave e Ferik, uma pasta feita com trigo verde frito em azeite de oliva. Uma vez pronto, o preparado é utilizado para rechear o peito, que deve ser cozido para evitar que o recheio escape. Depois, ferve-se em água com sal e almaciga. Servido com arroz, legumes cozidos e queijo, a pomba recheada de Ferik tem um sabor inigualável a qualquer outro prato preparado em outras partes do mundo. (Dica: a pomba pode ser substituída pelo frango, apesar do sabor não ser o mesmo. Quem conhece o sabor original, exige a receita feita com a carne de pomba.)
Kushari
O kushari é um prato rápido da cozinha egípcia. Preparado com uma mistura de arroz, lentilha, macarrão e grão-de-bico e temperado com molho de tomate puxado no alho, cilantro e vinagre. A combinação de sabores produz como resultado um prato substancioso e rico em proteínas. Pode ser consumido em restaurantes e lanchonetes. (Dica: por ser considerado um prato das classes mais humildes, os egípcios não costumam servir o kushari aos visitantes. Tampouco é encontrado nos cardápios de restaurantes turísticos.)
Bebidas típicas
Café
Os egípcios tomam bastante café e têm uma maneira muito própria de preparar e servir. O café no Egito é preparado com uma variedade forte chamada Kahua ou Kawa, que é fervida com açúcar e sementes de cardamomo. Quando fervido, coloca-se a espuma numa xícara e em seguida o café. Trata-se de uma bebida bem forte e perfumada pelo aroma típico do cardamomo.
Cerveja
Os egípcios foram o primeiro povo a preparar cerveja no tempo dos faraós. Entretanto, as leis islâmicas proíbem o consumo de bebidas alcoólicas, o que resultou na perda de uma importante tradição da cervejaria egípcia, que ficou reservada às comunidades cristãs e estrangeiras. A marca “Pharaons Gold” e Stella são as mais populares do país e podem ser compradas em bares e lojas onde a venda é permitida. (Dica: alguns jovens egípcios começaram a consumir cerveja. Caso seja complicado encontrar uma cerveja gelada, os jovens mais liberais podem ter a solução).
Exige-se visto para todos os cidadãos estrangeiros.
• O sistema elétrico é de 220 V e 50 HZ.
• A água potável não é segura. Deve-se beber água engarrafada e prestar atenção ao uso de gêlo preparado com água corrente.
• Existe sério risco de malária, tétano, cólera e bilharziasis (doença presente nas águas do Nilo).
• Durante o verão existe o risco de queimaduras provocadas pela radiação solar. As tempestades de neve podem causar desconforto ao visitante e a poeira fininha trazida pelo vento Khamsin pode danificar aparelhos eletrônicos e ópticos.
• É costume deixar 10% do valor da conta como gorjeta.
• No Egito, colocar sal na comida é considerado um insulto ao cozinheiro. Significa um sinal de desagrado com o sabor do prato.
• Desde os atentados contra turistas em 1997, existe um alerta devido a presença de grupos xenófobos dentro da comunidade radical islâmica. Aconselha-se que o visitante não se afaste muito do circuito turístico e respeite as normas sociais muçulmanas nos locais sagrados da comunidade.
• O roubo é um problema comum no Egito. Os assaltos e roubos de carteira, especialmente em lugares cheios são os delitos mais comuns.
• O turista costuma ser acossado por pedintes (crianças e mendigos em geral), com uma persistência bastante grande. A firmeza em dizer não e ignorar os pedidos costumam ser a melhor saída, já que a intervenção da polícia pode gerar uma repressão violenta contra os pedintes.
• Barganhar é um costume no Egito. Mesmo que o cliente não esteja disposto, o comerciante sempre o convidará a discutir o valor final de um objeto.
• No Egito existem lugares onde não se permite tirar fotos. Há inclusive museus que proibem o uso de câmaras fotográficas (não pelo uso de flash, senão pelo registro das imagens), exceto pessoas que tenham permissão específica para tal. Violar esta regra pode ter consequências tais como o confisco da câmara, do filme ou do cartão de memória. Nos lugares públics, algumas pessoas pedem dinheiro para serem fotografadas.
• O costume local é comprimentar um desconhecido antes de fazer alguma pergunta. Quem não comprimenta, pode ficar sem resposta.
• Os egípcios tem como hábito apenas aceitar um convite quando lhes é feito uma segunda vez. Consideram de péssima educação aceitar um convite de imediato.