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CIDADÃOS VIGIADOS

China cria pontuação social para controlar habitantes

A personagem principal de um episódio de uma famosa série precisa adquirir boas notas em um aplicativo para conquistar um bom status social. A pontuação vem das pessoas com as quais ela interage. Se ela, por exemplo, for rude com essas pessoas, sua nota cai e ela é excluída de locais mais refinados da sociedade. 

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Algo muito parecido vem acontecendo na China, com o chamado Zhima Credit, uma pontuação associada ao Alipay, a principal plataforma de pagamento móvel no país. Os usuários recebem notas entre 350 e 950, de acordo com suas atividades. Pagar suas contas em dia, por exemplo, aumenta essa nota, além de possuir determinadas qualificações, escolher alguns serviços e produtos, etc.  Com a pontuação baixa, você precisa fazer depósitos mais altos para alugar bicicletas, guarda-chuvas, GoPros e outros produtos de uso coletivo.

Até aí tudo bem, já que é um sistema que analisa a probabilidade de uma pessoa ser uma boa pagadora ou não. No entanto, a tecnologia está sendo utilizada junto ao governo para monitorar a população. E a coisa pode ficar ainda mais sinistra: desde 2014 o governo chinês tem a intenção de criar um sistema para pontuar a reputação de pessoas e negócios. O objetivo é catalogar dados de todos os cidadãos do país até 2020. Essas informações pessoais poderiam ser acessadas pelo governo por meio de biometria. Para o Partido Comunista chinês seria uma forma perfeita de vigiar e controlar os habitantes, punindo quem ameaça o regime e privilegiando quem age de acordo com os ditames governamentais.

Assim, pessoas com notas mais altas possuem mais facilidades: melhores preços no aluguel de apartamentos, termos mais flexíveis de empréstimos e até mesmo melhor perfil em apps de namoro. Além disso, quanto maior a nota das pessoas com quem você convive, melhor pontuado você é. Ao mesmo tempo, opositores do governo podem ir até mesmo para a cadeia. Parece ou não parece aquela série? 

Fontes: Wired e IndieWire

Imagem: Shutterstock.com