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CLONAGEM

Fêmea de lagostim consegue se reproduzir sem a necessidade de um macho

Pela primeira vez cientistas conseguiram mapear o DNA de uma das mais surpreendentes espécies de animais do planeta. A fêmea do lagostim marmoreado (Procambarus virginalis) tem a incrível capacidade de clonar a si mesma, sem a necessidade de um macho. Essa característica é preocupante, pois esses animais podem se proliferar sem limites. 

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O fascinante é que essa espécie tem origem recente, há 25 anos ela simplesmente não existia. O lagostim marmoreado parece resultar de uma única mutação de outra espécie. Na reprodução normal, cada célula reprodutiva tem apenas uma cópia de cada cromossomo. Mas um lagostim apresentou uma mutação que resultava em duas cópias de cromossomos em sua célula reprodutiva. Ao se acasalar com um lagostim normal, sua mutação criou uma nova espécie. Assim, os animais resultantes passaram a ter três cópias de cada cromossomo e a habilidade de se reproduzir assexuadamente, sem a necessidade de um macho.

O lagostim marmoreado começou a se popularizar entre criadores amadores na Alemanha, no fim dos anos 1990. Um desses criadores contou aos cientistas que ficou alarmado com a quantidade de ovos que uma fêmea era capaz de botar: centenas de uma só vez. Esse criador acabou distribuindo os animais para seus amigos, multiplicando a existência dos lagostins.

Como pode produzir clones de si mesma, a espécie rapidamente se proliferou pela Europa e também atingiu outros continentes. Populações selvagens começaram a aparecer na República Checa, Hungria, Croácia, Ucrânia e Japão. Em Madagascar, onde chegou em 2007, já há milhões desses animais ameaçando os lagostins nativos.  

O biólogo Frank Lyko, um dos responsáveis pelo sequenciamento de DNA do animal, disse que há vantagens e desvantagens quanto a reprodução assexuada. Ao mesmo tempo em que proporciona um crescimento populacional rápido, a espécie também fica vulnerável. Como eles são clones, não apresentam variação genética. Se surgir uma doença fatal para um indivíduo, ela pode destruir toda a espécie.

Fonte: The New York Times

Imagem: Zfaulkes, Via Wikimedia Commons