Ta Na História

A saga dos Seringueiros. Quem foi Chico Mendes?

Como começou a saga dos seringueiros? Quem foi Chico Mendes? Por que é importante sabermos dele, independente se concordamos ou não com suas ideias?

Vamos fazer um exercício. Não precisa nem desligar o ar condicionado. É só imaginar.

Se coloque no lugar de quem está em uma seca, com dificuldade de se alimentar, com poucos recursos, com os filhos passando necessidade...

De repente, alguém chega para você e diz que existe um eldorado. Um lugar mágico que está dando muito dinheiro. Que tem água abundante.  Que você vai ser muito feliz.

Não tem internet. Não tem histórias de quem foi. Não tem nada. Só tem seca.

Você iria ou não iria embarcar nessa? Seu filho está chorando, hein?

A viagem até a tal felicidade duraria meses. A pé, de charrete, de vapor.

Você e milhares de pessoas vão sair do nordeste e vão pro Acre, uma terra desconhecida, que nem brasileira era. Nós estamos em 1890, 1900.

Seu trabalho? Virar seringueiro. O látex custava uma fortuna. Muita grana rolando.

Quando você chega para trabalhar, o jogo não é bem esse.

Você não é um simples trabalhador. Aquilo que foi vendido é uma ilusão, um “desculpa, foi engano”.

Ou melhor, nem desculpa tinha.

Você já chegava recebendo uma conta. Devia pela viagem que o patrão pagou.

Devia pelos mantimentos que o dono do seringal que “te contratou” estava te vendendo a preços exorbitantes.

Você pagava pelos instrumentos que iria utilizar para trabalhar com a extração do látex...

O que você arrecadava com o seu suor era muito menor que a sua dívida, que só crescia.

Precisava comprar armamento? Dono de seringal vendia. Precisava de comida? Dono de seringal vendia. Precisa de médico? Dono de Seringal vendia.

“Pô, Thiago, eu tô no meio da mata, portanto posso caçar e plantar” Negativo, garotão.

Essas atitudes vão ser olhadas de perto.

Euclides da Cunha, escritor que dispensa comentários, foi a Amazônia no começo do século XX e o comentário dele era que o seringueiro trabalhar pra se escravizar.

Era um trabalho análogo a escravidão.

As terras eram dos donos de seringais. Aqueles seringueiros não tinham nada e nem conseguiam juntar dinheiro para voltar pro nordeste.

Você está no meio da floresta, muitas das vezes sem sua família, que não pôde vir.

Você, que tinha prometido voltar rico, deve e precisa trabalhar mais para não ser espancado.

Se colocou no lugar?

Pois agora eu vou te dar uma arma. Porque você vai ter que entrar em uma guerra com bolivianos. A terra que você trabalha, ou se escraviza, é deles.

Se perdemos a terra, como você vai pagar sua dívida?

Você não sabe atirar, não tem lógica militar, provavelmente está no pelotão da frente.

Dezenas de pessoas morrem em diferentes batalhas, que só irão terminar em 1903.

O território do Acre vira brasileiro, mas você não tem os direitos de um cidadão comum, que está agora na paulista ou na praia de Copacabana. 

Avançando um pouco na história, chegamos na Segunda Guerra Mundial.

Quer continuar acompanhando a saga dos seringueiros? Quer saber sobre os soldados da borracha, importantes na Segunda Guerra Mundial e esquecidos pelo Brasil? Quer entender parte do Ciclo da Borracha? Quer conhecer a história de Chico Mendes?

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